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Quanto mais tensos ou com medo ficamos, menos inteligência demonstramos

Todo professor sabe que alguns alunos "não têm bom perfil para testes". Basta estar na frente de uma folha de exame e suas mãos começam a tremer. Acabam indo mal simplesmente porque, em estado de pânico, não conseguem aceder as informações que seu cérebro acumulou cuidadosamente durante o semestre inteiro. O sistema HPA é um mecanismo brilhante para momentos de stress. Porém, não foi desenvolvido para ser constantemente ativado. No mundo de hoje, a maioria das situações de stress que vivenciamos não têm um perfil físico e concreto ao qual podemos simplesmente reagir e continuar a viver normalmente. Somos constantemente perturbados por uma série de problemas não resolvidos em nossa rotina, em nosso trabalho e em nossa comunidade global. Não são situações que ameaçam diretamente a nossa sobrevivência, mas que ativam o eixo HPA e resultam em níveis crónicos e elevados de hormônios de stress.

Para ilustrar os efeitos adversos de quantidades maiores e constantes de adrenalina no organismo, vamos usar o exemplo de uma corrida. Uma equipe de maratonistas saudável e bem treinada coloca-se na linha de partida. Quando ouvem o comando "atenção!", todos se agacham e ficam apoiados nas mãos e com os pés nos apoios. Ao segundo comando, "preparar!", seus organismos liberam hormônios de adrenalina que facilitam a reação de fuga e preparam os músculos para a árdua tarefa que os espera. Enquanto estão em posição de preparo, esperando o comando "já!", ps seus corpos antecipam o esforço. Em uma corrida normal, a tensão dura somente alguns segundos antes da largada. Mas, imaginemos uma situação em que, por algum motivo, ninguém grita "já!" e os atletas têm de ficar esperando. Seus corpos estão preparados, seu sangue está cheio de adrenalina e a ansiedade de ouvir o comando começa a desgastá-los. E, mesmo que estejam psicologicamente preparados para a espera, em alguns segundos eles podem entrar em colapso devido à tensão. Hoje vivemos num mundo no qual "preparar!" é o comando principal. Um número cada vez maior de estudos e pesquisas mostra que nosso estado constante de tensão e vigília acaba afetando severamente a nossa saúde. As situações stressantes a que estamos expostos no nosso dia-a-dia ativam constantemente o eixo HPA, preparando o nosso corpo para a ação. Mas como não estamos em uma competição desportiva, o stress de toda a pressão, medo e preocupação não é liberado. A maioria das doenças humanas está relacionada ao stress crónico (Segerstrom e Miller, 2004; Kopp e Réthelyi, 2004; McEwen e Lasky, 2002; McEwen e Seeman, 1999). Em um estudo interessante publicado em 2003 na Science, pesquisadores questionavam porque pacientes que utilizam medicamentos antidepressivos SSRI [Selective Serotonin Reuptake Inhibitors], como o Prozac e o Zoloft, não apresentam melhora imediata. É necessário um período de ao menos duas semanas para que comecem a sentir os efeitos. O estudo revelou que pessoas com depressão apresentam uma surpreendente falta de divisão de células na região do cérebro chamada hipocampo, uma parte do sistema nervoso relacionada à memória. As células do hipocampo se renovaram e se dividiram à medida que os pacientes começaram a sentir as mudanças de humor causadas pelos medicamentos SSRI. Esse e outros estudos colocam em jogo a teoria de que a depressão é meramente o resultado de um "desequilíbrio químico" que afeta a produção de elementos químicos monoamínicos de sinalização, mais especifica-mente a serotonina. Se fosse algo tão simples, as drogas SSRI restaurariam o equilíbrio químico imediatamente após sua ingestão. Cada vez mais pesquisadores associam a inibição do crescimento neural pelos hormônios de stress à depressão. Em pacientes com depressão crónica, o hipocampo e o córtex pré-frontal, o centro do raciocínio, encontra-se fisicamente retraído. Uma revisão desse estudo publicada na Science informa: "Uma hipótese hoje considerada mais provável é a de que o stress, e não a monoamina, seja a causa de sobrecarga no cérebro que leva à depressão. A personagem mais proeminente desta teoria é o eixo hipotálamo-pituitário-adrenal (HPA)" (Holden, 2003). O efeito do eixo HPA sobre a comunidade celular reflete o efeito do stress sobre a população humana.

Imagine a humanidade na época da Guerra Fria, em que a possibilidade de um ataque nuclear dos russos rondava o tempo todo a mente dos norte-americanos. Assim como as células em um organismo multicelular, os membros da sociedade na época da Guerra Fria desempenhavam funções que contribuíam para o crescimento comum e interagiam relativamente bem. As fábricas produziam, as construtoras criavam novos prédios e casas, os supermercados vendiam alimentos e as crianças frequentavam a escola. A comunidade era saudável porque seus membros trabalhavam para um objetivo comum. Mas de repente uma sirene informando um ataque aéreo ecoa pela cidade. Todos param de trabalhar e saem correndo, procurando a segurança de um abrigo antiaéreo. A harmonia da cidade é alterada enquanto os cidadãos, agindo em defesa da própria vida, vão em busca de proteção. Depois de cinco minutos, soa o alerta de que o perigo passou. Todos voltam ao trabalho e continuam sua vida em comunidade. Porém, o que aconteceria se todos corressem para o abrigo e a sirene de que o perigo passou não soasse? Todos permaneceriam nos abrigos indefinidamente. Quanto tempo resistiriam? O senso de comunidade ruiria diante da falta de água e alimentos. Todos morreriam, até mesmo os mais fortes, porque o stress crónico debilita. A comunidade sobrevive a períodos mais curtos de stress, como algumas horas em um abrigo antiaéreo, mas períodos muito prolongados inibem o crescimento das células e destrói o organismo.

Outro exemplo da influência do stress sobre a população é a tragédia de 11 de setembro nos Estados Unidos. Até ao momento do ataque o país vivia em estado de crescimento. Mas no instante em que os terroristas agiram e as notícias se espalharam, todos se sentiram ameaçados. O impacto das declarações do governo, afirmando que poderia haver novos ataques, dispararam sinais endócrinos em todos os cidadãos, levando a comunidade de um estado de crescimento a um estado de proteção. Após alguns dias de medo constante, a vitalidade económica do país foi tão afetada que o presidente teve de intervir. Para estimular novamente o crescimento, ele declarou: "Os Estados Unidos estão abertos a negociações". Mas levou algum tempo até os ânimos se acalmarem e a economia voltar ao normal. No entanto, até hoje os resquícios do terrorismo ameaçam a vitalidade do país. Como uma nação, deveríamos observar até que ponto o medo de futuros ataques terroristas ainda prejudica nossa qualidade de vida. De certa maneira os terroristas conseguiram o que queriam, pois nos colocaram em um estado crónico de proteção. Sugiro a você que analise seus medos e a maneira como o comportamento de proteção afeta a sua vida. Que medos impedem o seu crescimento? De onde eles vêm? São realmente necessários? São reais? Contribuem de alguma maneira para sua vida? Vamos abordar com mais detalhes esses medos e de onde eles vêm no capítulo seguinte, sobre paternidade consciente. Se aprendemos a controlar nossos medos, podemos recuperar o controle de nossas vidas. O presidente Franklin D. Roosevelt conhecia a natureza destrutiva do medo e escolheu cuidadosamente suas palavras ao fazer à nação uma declaração sobre a Grande Depressão e a Guerra Mundial: "Não temos o que temer a não ser o próprio medo". Portanto, deixar de ter medo é o primeiro passo para se viver de maneira mais completa e feliz."

(extraido de A Biologia da Crença, de Bruce Lipton)



 
 
 

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